Tenho verificado pela experiência que a prática conduz, a seu tempo, a uma forma de tranquilidade confiante. No quatidiano, reagimos bem aos desafios banais e não perdemos a paciência com facilidade. Nos momentos difíceis, encontramos saídas elegantes e maneiras de desmontar o sofrimento desnecessário mais depressa. De forma geral, abordamos a vida com a confiança de que, seja o que for que aconteça, saberemos lidar com isso.

Isso não significa que já não tememos o sofrimento ou não aspiramos à felicidade, apenas que nenhuma das perspectivas nos angustia demasiado. Conscientes de que tudo é impermanente, sabemos que tanto um como o outro têm um tempo de vida. Sabemos que a vida não é preta e branca e que as circunstâncias adversas podem contribuir tanto ou mais do que as favoráveis para o nosso bem-estar e felicidade.

A coragem de reconhecer a realidade do sofrimento permite-nos desmistificar o monstro dá-nos grandeza e torna-nos compassivos e empáticos. Não precisamos de continuar a mascarar as verdades da vida com trivialidades e, assim, ganhamos profundidade e calor humano. Gostamos de estar na nossa companhia e atraímos os outros. Criamos laços carinhosos e profundos que não se baseiam num emaranhado de emoções desgastantes, mas na conectividade natural de coração a coração. E, se isto não é a felicidade, não sei o que o é!

Tsering Paldron

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