Outro dia perguntei ao Tomás: “Filho, o que é uma asneira?”. Respondeu, sem hesitar: “É quando fazemos alguma coisa e ficam zangados”.

O Tomás tem 4 anos. Eu tenho 45. Mas quantas vezes, tal como ele, olho para a reacção dos outros em busca de perceber se fiz ou não uma “asneira”!

Aprendemos o que está certo ou errado com base em referências externas, no que nos diziam ou mostravam o pai, a mãe, os professores, os adultos em geral. Infelizmente muitos de nós mantivemos, vida fora, esta tendência de usar os outros, as normas, as convenções sociais, as tradições culturais, as leis do País, os resultados de estudos científicos, os slogan publicitários,… como referência do que está certo, do que devemos ou não fazer. Por hábito, colocamos nos outros a responsabilidade das nossas escolhas. Por vezes é mais simples assim. É, aparentemente, confortável. Iliba-nos de responsabilidade quando as coisas correm mal. Em última instância, no entanto, é um modo de viver alienado, mecânico, semi-automático, que dificilmente nos leva a lugares de preenchimento e satisfação com a vida. Em piloto automático não só é impossível assumir a responsabilidade pelas nossas escolhas, como é também difícil ter consciência dos resultados dessas escolhas e consequentemente, ter discernimento para mudar, quando o resultado não é o que nós procurávamos.

Acredito que, apesar deste hábito, todos nós temos uma referência pessoal do que está “certo” ou “errado”. Todos nascemos com uma bússula interna capaz de orientar as nossas escolha na direcção do maior bem estar, da maior satisfação pessoal e da vida mais preenchida de significado. Todos nós temos a capacidade de escolher, em cada circunstância das nossas vidas, o caminho mais apropriado, o mais benéfico para nós e para todos os envolvidos. Aquele que mais favorece o que na tradição Budista se chama o “Bem Comum”.

Este alinhamento entre as nossas escolhas e a nossa bússula interna é a melhor forma que encontro para definir a qualidade de Autenticidade. E é nesta Vida Autêntica que reside o Contentamento e a Satisfação que procuramos, em vão, no exterior.

Cláudia Horta

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