livro ajahn sumedho

Na vida monástica não temos televisão porque dedicamos as nossas vidas a fazer coisas mais úteis, como observar a respiração e andar para cima e para baixo nos caminhos de meditação na floresta. Os vizinhos pensam que somos meio malucos. Todos os dias eles vêm pessoas a sair embrulhadas em cobertores, a andar para cima e para baixo. ‘O que é que eles estão a fazer? Devem se malucos!’ Há algumas semanas atrás houve caça à raposa. As matilhas estavam a perseguir raposas no bosque. Sessenta cães e toda aquela gente crescida a correr atrás de uma pequena pobre raposa. Seria melhor passarem esse tempo a andar para cima e para baixo no caminho de meditação, não era? Melhor para a raposa, para os cães, para Hammer Wood e para os caçadores de raposas. Mas as pessoas em West Sussex pensam que eles são normais. Eles são os normais e nós somos os maluquinhos. Quando observamos a nossa respiração e andamos para cima e para baixo no caminho de meditação na floresta, pelo menos não estamos a aterrorizar raposas!

Como é que nos sentiríamos se sessenta cães estivessem a perseguir-nos. Imaginem o que seria do nosso coração se tivéssemos uma matilha de sessenta cães a correr atrás de nós e pessoas a cavalo a dizerem-lhe para nos apanharem. Quando realmente reflectimos nisso vêmos o quão desumano é. Ainda assim isso é considerado normal nesta parte de Inglaterra. Devido ao facto de o ser humano não ter tempo para reflectir, pode ser vítima de hábitos, sendo apanhado em hábitos e desejos. Se realmente reflectíssemos sobre a caça à raposa, não o faríamos. Se tivermos alguma inteligência e realmente pensarmos nisso, não o desejaremos fazer. No entanto, com coisas simples como andar para cima e para baixo num caminho de meditação numa floresta, tornamo-nos conscientes e muito mais sensíveis. A verdade começa a revelar-se através das simples e aparentemente insignificantes práticas que fazemos.

Ajahn Sumedho

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