Ontem recebi um mail, escrito por uma Mulher, extraordinária como nós,  onde li o seguinte desabafo: “Comigo acontece muitas vezes e às vezes é tão forte que me domina por completo e começo a entrar em depressão. Também te acontece? “

 

São palavras que tocam e que dizem tanto. São palavras que trazem dor, desespero, busca, luta, frustração, julgamento, confusão, revolta. São palavras que gritam um apelo. São palavras que pedem reconhecimento, conforto, compreensão, validação, orientação. São palavras de escuridão, que pedem luz. São palavras que todas nós podemos reconhecer, simplesmente porque todas nós já as gritamos e também já as ouvimos, muitas e muitas vezes.

Ontem, elas foram a propósito de um artigo num blog, no qual se fala de como alguns sobreviventes a traumas são inesperadamente tomados por emoções intensas, cujo motivo não conseguem compreender. Estes episódios emocionais, a que o autor chama “emotional flashbacks” são apresentados como “sintomas” comuns, “difíceis de descrever e reconhecer”. O artigo descreve como acontecimentos aparentemente vulgares e inofensivos podem despoletar um mecanismo emocional incompreensível e misterioso, que parece ter o poder de nos dominar e de nos fazer sentir como crianças.

Alguma vez te sentiste dominada por uma emoção? Alguma vez sentiste que uma emoção é “tão forte que te domina por completo?”

 

Todos queremos ‘estar bem’. O ‘estar bem’ faz de tal modo parte da nossa verdadeira natureza, que todos procuramos instintivamente fugir à dor. E as emoções doem. O medo dói. A raiva dói. A inveja dói. A ansiedade e a tristeza doem. Quando as emoções dolorosas são intensas, a enormidade da dor é tal, que fugirmos a ela se torna, mais do que a prioridade do momento, a única coisa que existe. Exactamente como numa situação de perigo extremo, em que há Vidas em risco. Todos os nossos recursos se canalizam automaticamente para a única coisa que interessa – encontrar uma saída para a dor. Tudo o resto desaparece e fechamo-nos para o resto da experiência.

Quando nós estamos neste estado fechado em que só vemos a necessidade de acabar com a dor, nós deixamos de ver a dor. Quando estamos dominados pela luta contra a dor, perdemos a noção da dor. A própria luta é uma fuga.

 

A luta contra a dor, gera, em si mesma, um sofrimento enorme – impotência, frustração, sensação de ser incapaz, ansiedade, insegurança, revolta, raiva, medo, pavor, obsessão, falta de ar, contenção, – que nos esgota de tal modo que pode ainda gerar uma tristeza profunda,  resignação, alheamento, indiferença e depressão. É ISTO que nos faz sofrer.

 

As emoções são inevitáveis e vão sempre surgir como resposta aos acontecimentos, e em função do que é o nosso padrão kármico. Essa é a dor que faz parte da Vida. A nossa atitude em relação a elas, é onde reside a nossa capacidade de escolha. A nossa atitude pode gerar mais sofrimento ou pode propiciar a cura.

 

É a luta, mais do que a emoção em si, que nos faz sofrer. É da luta que nos podemos libertar. Quando a luta cessa, cessa o verdadeiro sofrimento, mesmo na presença da emoção, de todo o desconforto e dor que essa emoção possa trazer.

 

Mas, mais importante do que isso, quando a luta cessa torna-se possível reconhecer a dor. E isso é tudo o que a emoção nos pede – para ser vista e reconhecida. Só quando a luta cessa se torna verdadeiramente possível a cura!

 

Sei que podes estar a dizer – “isso é muito bonito, mas não ajuda nada, porque eu não escolho lutar, eu não consigo deixar de lutar!” . Eu sei. Não consegues deixar de lutar, tal como não consegues deixar de ter a emoção. A questão é essa, parece que andamos em ciclo. Quando tomamos consciência da nossa luta contra a dor, começamos a lutar contra a luta! E continuamos atrás de  conseguir conquistar um objectivo que nos escapa sempre. Sem compreender, que não há nada a conquistar. Não temos que nos curar, mas sim permitir que a cura aconteça!

 

 

Não há cura sem rendição!

E é neste ponto que sinto que muitas vezes nos perdemos! Porque lutamos para deixar de lutar. Não compreendendo que nós não fazemos a transformação. A transformação acontece!

 

Então nós não fazemos nada?!?”, perguntas-me incrédula e desconfiada. Sim, nós fazemos. Fazemos muito. E fazemos todos os dias! Todos os dias, nós praticamos a tranquilidade. Todos os dias nós praticamos a investigação. Todos os dias cultivamos a compaixão. Nós criamos condições na nossa vida, prestando atenção às escolhas do dia a dia, para que na nossa mente e o nosso coração possam florescer as qualidades que propiciam a Sabedoria e o Amor – calma, tranquilidade, expansividade, bondade, generosidade, curiosidade.

 

Não com o objectivo de resolver este ou aquele problema de uma infinidade de problemas que a Vida sempre nos vai colocar. Mas sim com o objectivo de ampliar a nossa capacidade de acolher a Vida, de sintonizar com a nossa sabedoria interna, de escolher, no dia a dia, aquilo que é mais benéfico para nós e para os outros. E de lidar com tudo o que a Vida nos traz. Todas as emoções, positivas ou negativas. Vindas do passado, do presente ou do futuro.

 

Este é o trabalho diário que fazemos no programa Despertar para a Vida. Durante 24 semanas comprometemo-nos a tirar algum tempo por dia, não para resolver problemas, mas para olhar para dentro, com toda a ternura do Mundo, e para tomar conta de nós próprias, para nos nutrirmos. Comprometemo-nos a dar autorização a nós próprias para receber todo o apoio que sabemos precisar e merecer. Comprometemo-nos a partilhar umas com as outras as nossas dúvidas e conquistas e assim crescer juntas. Comprometemo-nos a tirar algum tempo por dia não para resolver problemas, mas para nos abrirmos à possibilidade de que os problemas se resolvam!

 

Se sentes dentro de ti um apelo para fazer as Pazes com todas as dores do Mundo que carregas, resgatar a Sabedoria e o Amor que já És e aprender a Viver sem lutas, envia-me uma mensagem e ficarei feliz por partilhar contigo todos os pormenores sobre o programa Despertar para a Vida.

 

Com amor,

 

Cláudia Horta

 

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