Quando há algo que nos magoa profundamente, de tal forma que não é possível suportar, precisamos de nos proteger e, para isso, fugimos para um local bem escondido dentro de nós, um buraco bem fundo onde ninguém nos pode tocar.

Fugimos dessa dor monstruosa, mas levamos connosco toda a tristeza, a mágoa, e o desespero do Mundo. Aí ficamos, e apesar de aí encontrarmos alguma segurança, é um local escuro, sem vida, onde nos sentimos sem força, sem vontade, sem compreender o que aconteceu, como aconteceu e porque aconteceu. Principalmente porquê! Sem compreender porquê! É como se estivéssemos a ser castigadas sem motivo, é terrivelmente injusto.

Sabemos que não é possível sair dali sozinhas, mas nunca ninguém nos vem buscar! Estamos abandonadas, indefesas, magoadas, impotentes. Mais do que a dor inicial com que tudo começou, sofremos agora os horrores da solidão, do abandono, da tristeza, da mágoa, do desespero.

O nosso corpo continua presente no mundo de todos os dias, a mexer, a comer, a dormir e a acordar, a falar e até pode sorrir, em alguns casos. Mas nós não estamos lá. Funcionamos como um robot, como uma máquina sem vida.

Quando as situações traumáticas, que nos magoam mais do que é possível suportar, se repetem, nós repetimos o caminho até o mesmo local. O nosso refúgio. E por vezes, de tanto o visitar, habitua-mo-nos a ele e passamos a morar permanentemente lá.

Eu conheço esse lugar. Conheço a sua paisagem cinzenta. Sei como te sentes quando pedes ajuda e te dizem o que deves fazer. Como te podem ajudar se não sabem o que se passa dentro de ti? Como te podem compreender se não estão dentro da tua cabeça? Como te podem dizer o que fazer, como se a dor e o desespero não fossem reais?

Conheço esse lugar. Conheço essa paisagem. Compreendo essa dor. Eu já estive aí. sei que existe, nesse local onde estás, uma passagem. Foi por lá que entraste. É por lá que vais sair. Não a consegues ver devido à agitação, à turbulência e à escuridão que preenchem a tua mente.

Não te posso ir buscar porque esse local onde estás é o teu refúgio pessoal. Para eu poder entrar aí, tu terias que morrer. E nós não queremos isso. Não podemos permitir isso. És demasiado importante e preciosa. Porque há alguém que precisa de Ti. Que se importa. Que te quer bem. Que te ama.  Uma pessoa que espera, há muito tempo, para te poder dizer: “És especial, gosto muito de ti e preciso que estejas ao meu lado”.

Não posso, ninguém pode, ir-te buscar a esse local escuro e tu não és capaz de sair sozinha. Já tentaste muitas vezes e não foste capaz de encontrar saída. É demasiado difícil, demasiado assustador, demasiado doloroso. Não sabes o que fazer. Sentes-te confusa. E sem forças. A verdade é que, neste momento, não podes sair de onde estás!

NESTE MOMENTO NÃO PODES SAIR DE ONDE ESTÁS!

Algo tem de mudar primeiro. Mas… e se pudesses sentir-te um bocadinho mais forte? E se pudesses encontrar aluma coisa que te iluminasse? E se fosse possível acalmar um pouco a tua mente e aliviar um pouco a tua dor? Talvez então seja mais fácil. Talvez então seja possível começar a perceber por onde precisas de ir.

Mas… e se pudesses, no sítio onde estás,  praticar meditação?

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