Há alguns anos atrás comecei a notar que me incomodava ouvir falar sobre Sonhos. E comecei a ficar incomodada por isso – porque havia eu de me incomodar quando alguém fala sobre sonhos? “Eu não tenho Sonhos, não sei o que é Sonhar, nunca precisei disso e estou muito bem assim.” – ouvia-me dizer a mim própria. Ou não estarei? A verdade é que me incomodava. Como se sentisse que me estavam a apontar alguma falha. De alguma forma sentia-me posta em causa e sentia necessidade de me defender.

Por outro lado, havia outra coisa que me chamava a atenção. Desde que fui Mãe, em 2012, que sentia dentro de mim algo diferente. Por vezes era como que uma voz que sussurrava. Ou uma sensibilidade diferente, exagerada, em relação ao Mundo. E fui vivendo, ao longo dos últimos anos, uma montanha Russa de emoções em respostas a coisas que não estavam a acontecer. Como se ouvisse ecos do passado.

Comecei a sentir que estava a ser chamada, de uma forma completamente nova, por um Mundo interior, desconhecido, rico de emoções e sentimentos. Como se estivesse a receber vislumbres de uma Vida por viver, que estivesse guardada bem fundo dentro de mim. Difícil de por em palavras, a melhor forma que encontrava de o fazer era “sinto que trago uma criança dentro de mim, e que ela tem qualquer coisa muito importante para me dizer”. Compreendi que essa criança era eu própria e a sensação que vivia ara a de me ter esquecido, há muito muito tempo, de uma coisa muito muito importante que um dia tive para dizer.

Durante anos, o reconhecimento desta criança e da mensagem esquecida vinha com uma carga de tristeza e um peso, que compreendo terem estado sempre presentes na minha Vida. Durante esse tempo, como adulta, sabia que tinha o Mundo na palma da minha mão e que podia escolher o meu caminho, mas sentia também que o que “a Criança” pudesse ter para me dizer seria importante e iria ajudar a escolher o meu caminho de vida. Precisava de a resgatar, de a reconhecer e de honrar a sua vontade. Senti que essa criança, que fui e esqueci que fui, precisava da minha ajuda e resgatá-la passou a ser a minha missão.

Não o compreendi na altura, mas posso agora ver claramente que resgatar os Sonhos da criança que fui passou a ser o meu Sonho.

Passei os últimos quatro anos da minha vida a explorar formas de ir ao encontro dessa criança e do que ela tem para dizer ao Mundo, com a sua Sabedoria, a qual pressinto imensa e pura. O que descobri nesta exploração interior, foi imenso e ao mesmo tempo inesperado – ajudou-me a curar feridas, a ultrapassar bloqueios, a colocar de lado crenças que me limitavam, a recordar a Alegria de Viver, a descobrir a minha Voz interior, a reconhecer o meu próprio valor e a importância da minha contribuição para o Mundo, a escutar os outros com o coração e a reconhecer o Seu Potencial, a confiar e a agradecer a Vida, … Ah! E a reconhecer, em mim e nos outros, os sonhos que nascem dentro de cada um, e que, acredito agora, são a única fonte de orientação na Vida em que faz sentido confiar.

Nós existimos para dar Vida aos Sonhos!

Afinal,

Se não o de dar vida aos Sonhos, que outro sentido pode ter a nossa própria mortalidade?

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